sexta-feira, 31 de maio de 2013

Consumo de tabaco está a aumentar, mulheres fumam cada vez mais


Segundo o jornal "o Público" do dia 31 de maio 2013

Especialistas reclamam lei mais restritiva em Portugal. Hoje é o Dia Mundial sem Tabaco. No princípio, sentiu-se uma quebra no número de fumadores. Passados cinco anos após a aprovação da Lei do Tabaco, porém, há cada vez mais sinais de que o consumo está a aumentar em Portugal, especialmente entre as mulheres. Ontem, foram apresentados em Lisboa os resultados preliminares de um vasto trabalho do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) sobre factores de risco cardiovasculares (e-Cor) que não deixam margem para dúvidas: há uma subida da prevalência do consumo de tabaco tanto na Região de Lisboa e Vale do Tejo como na Região Centro; e se os homens continuam a fumar mais do que as mulheres, é entre elas que o aumento do consumo é muito significativo; a prevalência de hábitos tabágicos (consumo diário e ocasional) encontrada foi de 24,8% em Lisboa e Vale do Tejo, quando, em 2008, na última avaliação no terreno encomendada pela Direcção-Geral da Saúde, se ficava pelos 16,8%. Mas o mais preocupante, na opinião de Mafalda Bourbon, coordenadora desta investigação, é o aumento do consumo entre as mulheres: em Lisboa e Vale do Tejo, a prevalência era de 20,6% contra 9,5% no estudo de há quatro anos da DGS. Os números ultrapassam mesmo os registados no último Inquérito Nacional de Saúde (2005/2006), realizado ainda antes da entrada em vigor da lei, nota. 
 Na Região Centro, o consumo também subiu, face a estudos anteriores (para 17,4%, no geral, e 11,8% entre as mulheres). Mas é preciso notar que neste trabalho (que vai ser alargado a todo o país no próximo ano) foram inquiridas pessoas com 18 ou mais anos (350 em Lisboa e Vale do Tejo e 338 no Centro), enquanto os inquéritos da DGS e do INS incluíram jovens com 15 ou mais anos. A elevada exposição da população ao fumo do tabaco foi outro resultado que surpreendeu os investigadores do Insa. Em Lisboa e Vale do Tejo, quase 60% dos inquiridos entre os 34 anos disseram ser fumadores passivos, quando na Região Centro mais de 50% declararam estar expostos ao fumo do tabaco. "Todos os resultados obtidos são preocupantes", comenta Mafalda Bourbon, que destaca, pela negativa, o aumento da prevalência do tabagismo na mulher para o dobro em relação ao estudo da DGS de 2008, "principalmente porque a maioria das mulheres toma a pílula e os perigos desta combinação são bem conhecidos". A proporção de jovens adultos que são fumadores passivos também preocupa a investigadora, uma vez que "o fumo passivo tem praticamente os mesmos riscos que o fumo activo". O que temos, por enquanto, "são estudos mais pequenos que não têm representatividade nacional", contrapõe Emília Nunes, directora do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, que defende que vai ser necessário aguardar pelo próximo Inquérito Nacional de Saúde (em 2016) para se ter uma imagem mais fiável da realidade. A seguir à aprovação da lei, o consumo do tabaco diminuiu (5%, de acordo com o estudo então efectuado pela DGS). Agora está a aumentar? "Não sei", responde Emília Nunes, que admite, todavia, que um estudo feito em 2011 pelo SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências) e que apontou para uma pequena subida do consumo na população estudantil não a deixou "muito tranquila". Também os resultados do último Eurobarómetro (sondagem que incluiu mil portugueses, em 2012) indicam que a prevalência de fumadores está estacionária (23%), lembra. "É preocupante. É preciso tomar medidas. Há um desfasamento da percepção do risco e o risco real deste produto. O tabaco é um produto muito perigoso, que provoca dependência", sublinha. Com o trabalho técnico a cargo da DGS pronto desde 2012, falta agora avançar com a anunciada revisão da lei. A legislação portuguesa ainda tem muitas excepções, lamenta Emília Nunes, que chama a atenção sobretudo para os espaços de diversão nocturna. O exemplo de Espanha (que adoptou uma lei restritiva, depois concluir que a legislação inicial não estava a surtir efeito) devia ser seguido por Portugal, advoga.
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